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Saúde mental em atletas e aspirantes

Estudos apontam que competições podem contribuir para o desenvolvimento de problemas emocionais e mentais, pois atletas e aspirantes apresentam alguns comportamentos de risco, tais como: consequência emocional de lesões, preocupação em relação a mídia ou críticas negativas caso não alcancem o patamar que é esperado ou que percam a competição, problemas de relacionamento devido a rotina e privação de alguns considerados “prazeres comuns” e dificuldades financeiras.

O abuso de substâncias também é um fator de risco nessa população. A pressão que qualquer competição gera, pode ser considerado um fator de risco para o declínio em saúde mental.

Esporte no geral cultua o padrão “durão” e demoniza a demonstração de emoções, que muitos atribuem à “fraqueza”.

O problema que exige mais atenção ao pensar sobre atletas é, sem dúvidas, a síndrome de Burnout.

Esta é caracterizada pela falta total de energia, derivada de desgaste emocional acentuado, fazendo com que não haja disposição suficiente para executar atividades cotidianas.

Rayne (1995) descreve quatro razões para o desenvolvimento da síndrome de Burnout em atletas, sendo elas: medo de desenvolver lesões, medo da falha, pressão e conflitos pessoais.

Todos os fatores citados, somados a falta de suporte por parte dos clubes ou patrocinadores, prejudica a saúde mental do atleta ou aspirante.

O autor enfatiza o fato de muitas vezes as informações e acesso aos serviços de saúde mental estarem disponíveis, mas os atletas não procuram ajuda (o que piora os sintomas a longo prazo), por receio de serem julgados como “fracos” e temem a perda de patrocínio.

Em menor grau, isso também pode acontecer quando se cria um eu ideal, como uma imagem que se quer passar em um perfil, que não condiz com a realidade emocional (eu treino, faço dieta, tenho físico ótimo, muitos me admiram por isso, por exemplo).

Assim, a pessoa se vê sem a opção de demonstrar fragilidade, por medo de críticas.

Na maioria das vezes, isso não passa de uma fantasia narcisista, que pode camuflar problemas psicológicos.

Todas essas falsas crenças jogam contra o individuo que tem dificuldade de aceitar suas próprias limitações.

Coper, Stringer, Howes et al., (2015) sustentam a ideia da adoção da postura de masculinidade por alguns, onde força e bravura fazem com que os indivíduos não se adequem como deveriam às situações e não encontrem meios de buscar ajuda.

Hoje vemos um movimento em que as pessoas querem ver outras pessoas reais também, mais próximas da realidade. Podemos confirmar ao vermos o tamanho da importância que o público dá para a vida pessoal dos atletas nas redes sociais, onde os objetivos alcançados por eles, nem sempre são valorizados.

Programas de conscientização em saúde mental deveriam incluir essa classe de profissionais, para que o pedido de ajuda seja facilitado e para que a melhora dos sintomas seja alcançada por meio de acompanhamento psicológico.

Referências:

Breslin, G., Shannon, S., Haughey, T., Donnelly, P., & Leavey, G. (2017). A systematic review of interventions to increase awareness of mental health and well-being in athletes, coaches and officials. Systematic Reviews, 6(1), 177-15. doi:10.1186/s13643-017-0568-6

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