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Qual a maneira mais eficaz de perder peso?

Gostaria de enfatizar, desde o início, que esse texto foi escrito sob uma vertente psicológica, e não tem a ver com estratégias nutricionais ou algo do tipo. 

Atualmente, a perda de gordura corporal tem recebido muita atenção, uma vez que a população busca maneiras mais rápidas de chegar ao físico almejado. Nesse momento, a indústria (incluo aqui as redes sociais, blogs, tv e outros), se aproveita desse hiato entre o cliente e a sua dúvida sobre a melhor forma de perda de peso e lança novas estratégias que consistem em dietas, desde as mais mirabolantes até as mais tradicionais. Parece que nutricionistas também se dividem entre as metodologias, mas são unânimes em trabalhar de maneira eficaz para que seus pacientes alcancem o resultado desejado. 

Mas, qual seria a maneira mais eficaz de perder peso? Bom, sob o olhar comportamental, essa pergunta deveria ser: como foi o processo de ganho de peso? Com certeza não aconteceu do dia para a noite. Algumas pessoas irão dizer que foi após uma grande mudança na vida, enquanto outras, sempre se reconheceram como “acima do peso” desde a infância. Tem também aqueles que pensam que estão acima do peso meramente por comparação com atletas e modelos. Partindo para um lado mais patológico, encontramos também o sentir-se sempre acima do peso, mesmo estando abaixo ou dentro do esperado (esse fenômeno é comum nos transtornos alimentares). O sintoma permeia a vida da pessoa, fazendo com que ela sempre tenha a impressão de estar acima do peso o tempo todo. Consideramos aqui a distorção da imagem corporal como causa maior desse problema. 

Sendo assim, precisamos então pensar sobre o que nos fez engordar, para entendermos o caminho contrário a isso, promovendo mudança no estilo de vida e fazendo com que alguns comportamentos sejam extintos. Por exemplo: consideremos que Ana (nome fictício para que o texto fique mais lúdico) trabalhe em um ambiente altamente estressante, e que esteja submetida a longas jornadas, já à beira de um esgotamento emocional e físico. Se alimenta de maneira muito irregular, preferindo fast-food, por sentir mais prazer enquanto come, e resiste iniciar um plano nutricional por achar que essa será mais uma obrigação na vida dela. Automaticamente o ganho de peso vai acontecer sem ela perceber, devido ao sedentarismo e alimentação inadequada. Pensando no trabalho com Ana, a primeira análise seria sobre o próprio comportamento, elencando as características de personalidade dela. Ana relata que desde pequena, sempre foi responsável por cuidar dos irmãos mais novos enquanto os pais trabalhavam, e que recebia cobrança para ser sempre responsável, ao ponto de começar a se cobrar para também ter algum reconhecimento pelos pais. Bingo! Ana se sente sobrecarregada porque apresenta tendência de trazer tudo para si, principalmente as responsabilidades e sente que falhou quando não entrega todas as demandas, fazendo com que ela nunca se coloque em prioridade. O estado de Ana foi consolidado pela necessidade de controlar todo o processo, fazendo com que ela trabalhe fora do horário para concluir o que começou (houve associação de que ela só tem valor quando faz o que é esperado dela, expondo sintomas provenientes de baixa autoestima). Essa potencial paciente se beneficiaria de um plano alimentar mais flexível e uma atividade física que só dependa dela, como fazer caminhada, por exemplo. Academia, nesse caso, seria muito desafiador no início, uma vez que Ana compararia sua forma física com a de outras pessoas e se sentiria intimidada, pois a baixa autoestima origina a fantasia e cobrança de ter que ser “melhor” que o outro para se obter sucesso.  Após novos hábitos estarem presentes, Ana poderia progredir para outras atividades de maneira gradativa, sendo motivada pelas conquistas diárias e pelo prazer de olhar mais para si e ver resultados provenientes das mudanças. 

Um outro exemplo interessante seria o praticante de exercícios que já apresenta uma forma física ideal, mas gostaria de perder gordura. Mesmo ajustando a dieta e enfatizando os exercícios, algumas pessoas não conseguem alcançar a definição muscular adequada. Nesse caso, podemos estar lidando com processos de autossabotagem, que consiste em comportamentos que fazem com que a pessoa retorne para o lugar de onde começou, ao invés de evoluir. Aquele que adere ao plano nutricional a semana toda, porém aos finais de semana extrapola nos alimentos que deveriam ser consumidos com moderação, pode ficar nesse jogo de vai-e-vem, e se frustrar muito por não alcançar seu objetivo. Nesse caso, o trabalho de análise trabalhará as razões da autossabotagem, fazendo com que a pessoa possa seguir a vida sem esse comportamento disfuncional. 

Esses foram apenas alguns exemplos clássicos de como o comportamento pode impedir o sucesso de um paciente, que nos faz pensar em que tipo de cuidado estamos oferecendo na prática clínica. Estamos sendo empáticos ou forçando nossa metodologia? Aposto no trabalho multidisciplinar, para que ajudemos nossos pacientes a alcançar a forma física que desejarem.  Comportamento, nutrição e treinamento precisam estar alinhados, para que resultados satisfatórios sejam alcançados de maneira efetiva e permanente. 

 

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