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Comportamento e hipertrofia: como otimizar resultados?

O Brasil é hoje o segundo país do mundo em número de academias, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A população nunca esteve tão motivada para prática de musculação na história. Esse processo se deve ao fato do Brasil ser um país tropical, onde há grande exposição dos atributos físicos, e, além da questão saúde ou esporte, temos também a influência das redes sociais e das outras mídias, ditando como nosso corpo deveria se parecer. 

Hipertrofia é o processo de aumento da massa muscular, adquirido através de dieta e treinamento, onde a musculação parece ser a modalidade que oferece esse resultado tão desejado em um espaço menor de tempo. Hoje, tanto homens quanto mulheres buscam tonificar seus corpos, por questões de saúde, estética ou competição (fisiculturismo). Porém, segundo pesquisas, a hipertrofia faz parte mais acentuadamente na população masculina (enquanto as mulheres talvez se preocupem mais com a perda de peso). É imprescindível que, para alcançar resultados, disciplina e determinação precisam ser incorporadas na rotina de cada pessoa. 

O processo de hipertrofia é complexo e vai depender de mudanças comportamentais também. Com isso, a imagem corporal (como a pessoa se vê), nutrição e treinamento precisam estar alinhados para esse objetivo. Podemos também ter forças adversas em nós mesmos no processo de mudança corporal, originada pela mente. Pessoas que tiveram traumas emocionais em seu desenvolvimento, juntamente com baixa autoestima e imagem corporal comprometida, podem ter o dobro de dificuldade, comparado com aqueles que passaram pela primeira etapa da vida sem maiores problemas.  

Com o tempo de prática esportiva, a aparência física muda gradativamente, resultando em motivação, autoconfiança, enfatizando o sentimento de “ser capaz”. Quando a imagem corporal acompanha esse desenvolvimento, há coerência entre imagem corporal e aparência física, garantindo o sucesso no processo todo e boa adesão ao treinamento e disciplina com a alimentação. Quando o contrário acontece, a mente sofre uma ameaça constante da imagem “segura e confortante” que foi construída, principalmente com o objetivo de proporcionar uma zona de conforto. Quando a imagem corporal, por algum motivo não está alinhada com a aparência física, ocorre a distorção de como cada pessoa irá se ver no espelho. Por melhor que sua evolução esteja caminhando, esta pode ter a percepção errônea de que as estratégias profissionais não estão corretas, e que é necessário recorrer a algo que proporcionem resultados mais rápidos. Isso gera ansiedade, comparação com outros, insegurança e até depressão. Interessantemente, os outros podem até perceber a evolução e aumento da massa muscular, enquanto a pessoa não conseguirá experienciar seus próprios resultados, pois se verá como a sua mente condicionou a imagem corporal comprometida.  

Levando em conta que a mente procura uma maneira rápida para amenizar o sofrimento emocional, esta, diante do trauma, pode trancafiar a imagem corporal deturpada (diante do bullying por exemplo), e se organizar de maneira disfuncional, fazendo com que qualquer mudança de comportamento pareça tão ameaçadora, que a mente sempre irá tentar manter as coisas como estão, resultando em autossabotagem e dificuldade para inserir novos hábitos na vida. Esse é o processo que faz com que pessoas se dediquem muito, mas, em determinado momento, desistem. Aqueles que parecem almejar tanto a mudança corporal, mas que, quando estão próximas dos objetivos, acabam tropeçando na dieta ou no treinamento e acabam retornando sempre para a estaca 0. Perceba que o movimento que nossa mente condicionada faz, é sempre tentar levar o individuo de volta para o que é conhecido; nesses termos, para a imagem corporal que fora construída. 

Gosto muito da linha de trabalho do Dr. Amen (psiquiatra americano), que faz uma afirmação muito empática com as pessoas que tiveram algum tipo de trauma emocional na infância: “Quando se comparar com alguém e sentir que está atrás em algo (carreira, vida, corpo), não se preocupe. Enquanto algumas pessoas estavam se construindo para viver, você estava sobrevivendo”. E assim algumas pessoas permanecem em modo de sobrevivência e não conseguem mudar o comportamento. 

Para quebrar esse processo, é necessário muita determinação, motivação e disciplina, alicerçados por profissionais, de preferência. Autoconhecimento é a solução, onde você conseguirá identificar seus gatilhos e contorná-los, para que seu comportamento não seja motivado por emoções primitivas. 

A análise comportamental, juntamente com dieta e treinamento oferecem o suporte ideal para a hipertrofia. Como o processo de mudança de atitude precisa acontecer, alguns podem enfrentar dificuldades em manter a rotina de treinos e dieta. Tudo exige condicionamento: se alimentar, treinar e descansar. Tendências para rotinas caóticas podem fazer parte, porém podemos controlar e mudar. Já a ameaça externa, se caracterizando principalmente pela ansiedade na academia ao ver outros que já alcançaram o que se almeja, faz com que o “desespero por massa muscular” leve o indivíduo a buscar diferentes estratégias para hipertrofia e não ser consistente em nenhuma delas. Uso exagerado de suplementação, abuso de esteróides anabolizantes e over treino, podem esconder ansiedade por resultados rápidos na população geral. Em contraste, na fala de especialistas, o sucesso vem da consistência, consciência corporal, progressão de treinamento e adesão a dietas voltadas para esse fim. 

O aprender a planejar resultados alcançáveis em primeiro lugar (aumentar a carga, dormir melhor, ter consistência no treino e incorporar a rotina na vida) farão com que o individuo experiencie mais prazer no processo. Então, a cada etapa de resultado, planejar o próximo passo, e assim consequentemente. Impossível saltar do 0 ao 100 em um mês. Importante também entender que atletas tem treinado por anos e anos para alcançar o físico que apresentam hoje. Portanto, se for para se comparar, tire fotos de quando você iniciou o processo e se compare apenas com o seu próprio processo de evolução. Pensar em atletas como inspiração e não competição, pode prevenir muitos sentimentos negativos em relação ao seu corpo. 

Considere quais foram ou são seus maiores desafios em relação ao ganho de massa muscular. Tem mais relação com nutrição adequada, treinamento personalizado ou o seu comportamento? 

Até mais!

Marcos Ribeiro

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