• + 44 7448 115566
  • Victoria Avenue, EC2M 4NS, London

Imagem Corporal, Autoestima e Saúde Mental

Imagem corporal

Imagem corporal foi primariamente discutida pelo escritor alemão Schilder em 1935, onde o autor a definiu como: “a representação do nosso próprio corpo que formamos em nossas mentes, que seria o modo como vemos e percebemos o nosso corpo para nós mesmos”.

Essa definição se foi expandida com estudos mais recentes.

Uma delas, que é pertinente ao conteúdo exposto aqui seria: “a imagem do tamanho, peso e formato do nosso corpo que temos em nossa mente; e os sentimentos relacionados com as características das partes do corpo” (Slade, 1988).

Em termos mais simples, imagem corporal é o modo como percebemos o nosso corpo em nós mesmos.

Essa imagem é formada com o avanço do desenvolvimento e pode mudar, dependendo do estado emocional da pessoa.

Infância é um determinante na formação da identidade e do conceito do “eu”, onde autoimagem positiva levaria a criança a ter autoestima adequada para que esta consiga se desenvolver propriamente, executar as tarefas e interagir com o ambiente de maneira adequada.

Como a criança aprende interagindo com o meio, a influência dos que a circundam serão significativos para a criação e uma autoimagem positiva.

Pais ou cuidadores que a elogiam por feitos, enaltecendo seus atributos físicos, e a reforçam positivamente colaboram para que a autoimagem seja positiva.

Contrariamente, as crianças que sofrem bullying na escola ou em casa, recebem referências negativas relacionadas ao seu corpo ou parte deles, é criada em um ambiente disfuncional, podem desenvolver autoimagem e autoestima negativas. Fatores genéticos, clínicos e cognitivos também são determinantes de autoimagem.

Hoje notamos na clínica pacientes que possuem uma composição corporal impecável do ponto de vista estético, mas apresentam muitas dificuldades, pois a imagem corporal deles ainda está ligada ao conceito adquirido previamente.

O fortão externo ainda carrega a imagem corporal do “gordo baleia, saco de areia” da infância, ou o “magrelo, vareta” pode estar presente no atleta.

O número de pessoas que procuram cirurgias plásticas sem a aparente necessidade também cresce no Brasil.

É um caminho sem fim, caso a intervenção adequada não seja atingida. Quero exemplificar aqui que a imagem corporal e algo que precisa ser cuidada ou ressignificada, a fim de evitar danos maiores a autoestima e ao desenvolvimento.

Não podemos deixar de mencionar a influência das redes sociais no conceito de autoimagem, onde usuários são bombardeados por corpos e rostos perfeitos (muitos deles modificados/melhorados com ajuda da tecnologia).

Internet se transformou em um campo minado para a autoestima e autoimagem.

A junção de um desenvolvimento não satisfatório somado ao ambiente virtual pode fazer com que indivíduos desenvolvam ansiedade, depressão e/ou transtornos alimentares.

Como última consideração, é importante reforçar que alguns dias se sentir mal com a aparência e normal, porem se o sentimento ocorrer a maior parte do tempo, trazendo sofrimento, então temos um problema.

Procure um profissional qualificado o quanto antes, a fim de minimizar os danos que problemas de autoimagem podem causar.

Bodybuilding

Considerando imagem corporal, pesquisas indicam que, em torno de 25% dos bodybuilders (competidores ou não) apresentam problemas com a imagem corporal e que há uma ligação entre a imagem corporal e despersonalização.

Além disso, os sintomas ocasionados pelo período pre-contest (fadiga, irritabilidade, problemas de sono e humor) ou o término do ciclo com recursos ergogênicos podem resultar em depressão.

Essa depressão pode ser caracterizada como uma manifestação orgânica, que na maioria das vezes se encerra quando a TPC reestabelece a produção natural de testosterona no corpo.

Porém, com o tempo, a vulnerabilidade aumenta e, dependendo do histórico clínico, pode resultar em depressão propriamente (onde há a necessidade de intervenção profissional).

A pressão por resultados e por patrocinadores, medo de falha, medo de pedir ajuda e demonstrar emoções e ser visto como “fraco”, períodos intensos de exaustão e rotina rígida, colocam os atletas no grupo de risco com maior propensão a desenvolver problemas psicológicos.

Problemas psicológicos ou psiquiátricos mais comuns nessa população:

  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Dismorfia corporal;
  • Dismorfia muscular (vigorexia);
  • Transtornos alimentares;
  • Problemas de relacionamento interpessoal;
  • Despersonalização;
  • Pensamento obsessivo;
  • Agressividade;
  • Problemas do sono e outros.

 

O acompanhamento psicológico para bodybuilders visa o autoconhecimento, ressignificação de comportamentos disfuncionais, maior conscientização do próprio corpo, identificação da presença de autossabotagem, promoção da autoestima e autoconfiança.

Dessa forma, estratégias corretas podem ser utilizadas para se chegar ao físico ideal e promover mais autoconfiança para as competições.

Abaixo uma descrição dos transtornos alimentares e de imagem mais frequentes (de acordo com o DSM-5):

Transtorno Dismórfico Corporal: Transtorno caracterizado pela preocupação excessiva com um ou mais defeitos ou falhas percebidas em na aparência física, levando os indivíduos a acreditar que parecem feias, sem atrativos, anormais ou deformadas (dependendo do grau do transtorno).

As falhas observadas parecem pequenas ou invisíveis para os outros.

Pessoas se comparam a outras pessoas frequentemente, se verificam no espelho com frequência e percorrem rituais para diminuir o sofrimento causado.

Esses comportamentos são repetitivos e podem aumentar a ansiedade.

Exemplos incluem: tentativa de camuflar a “falha” com maquiagem, uso de chapéus, exercício em excesso ou recorrer a cirurgias plásticas.

Preocupação excessiva com a simetria do rosto ou aparência no geral pode levar o individuo a utilizar maquiagem excessivamente e constantemente; bem como o individuo que sente que suas pernas são desproporcionais, tenderia a usar jeans sempre que possível a fim de esconder o foco do sofrimento do ponto de vista dele.

Dismorfia muscular (ou Vigorexia): É uma forma de transtorno dismórfico corporal que ocorre quase que exclusivamente no sexo masculino e consiste na preocupação com a ideia de que o próprio corpo é pequeno ou insuficiente magro ou musculoso, mesmo tendo, na maioria das vezes, um corpo normal ou mais musculoso do que se imagina.

Podem ser também preocupados com outras áreas do corpo, como pele e cabelo.

A maioria faz dieta, exercícios e/ou levanta pesos excessivamente, as vezes causando danos ao corpo. Uso de esteroides anabolizantes e outras substâncias também podem estar presentes.

Indivíduos que são preocupados com defeitos que eles percebem na aparência de outras pessoas também se enquadram nessa categoria.

Anorexia Nervosa: Medo intenso de ganhar peso ou de engordar, ou comportamento persistente que interfere no ganho de peso, mesmo estando com peso significativamente baixo.

O paciente pode ter a imagem corporal tão distorcida a ponto de se ver obesa, quando na verdade estão com peso menor do que deveria.

A perda de peso acontece pois o paciente não se alimenta e vê comida como uma ameaça.

E quando se alimenta, pode usar métodos purgativos para expelir o alimento ingerido. Ideação suicida, depressão, ansiedade e outras morbidades podem acontecer.

Em casos mais severos, anorexia pode levar à morte.

Bulimia Nervosa: Episódios recorrentes de compulsão alimentar (ingestão de uma quantidade de alimentos acima da média em um curto espaço de tempo, com a sensação de perda de controle sobre a ingestão durante o episodio).

A fim de evitar o ganho de peso, o paciente utiliza comportamentos não apropriados, tais como: vômitos induzidos, laxantes, diuréticos ou outros medicamentos ou exercício em excesso.

Transtorno de compulsão alimentar: É caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar (ingestão de uma quantidade de alimento acima da média, com sensação de perda de controle durante o episódio):

  • Paciente pode comer mais rápido do que o normal;
  • Comer até se sentir desconfortavelmente cheio;
  • Comer grandes quantidades de alimento na ausência de fome;
  • Comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo;
  • Sentir-se deprimido, desapontado com si mesmo ou culpado em seguida do episódio;
  • Sofrimento psíquico acentuado em virtude da compulsão alimentar;
  • Comorbidade (presença de mais de uma condição) pode estar presente.

 

Referências: Slade, P. D. (1994). What is body image?. Behaviour research and therapy.American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.).

ingles portugues